Depois do bonde sem freio destruir o ferrorama do barranco... rs Tá... Provocações a parte,é hora de reproduzir mais uma reportagem brilhante do caderno de esportes do jornal "O Globo". Dessa vez, o foco é o jogador de futebol sérvio Dejan Petkovic. A beira da aposentadoria, o Pet, como chamado pela torcida rubro-negra, começa a mostrar sua face de empresário. Aliás, muito mais do que um empresário. Atualmente, é cônsul honorário da Sérvia e presidente da Câmara de Comércio Sérvia-Brasil. Além de tudo, mostra-se um grande autodidata, extremamente consciente e articulado.
Petkovic S.A.: o craque que se tornou empresário e presidente da Câmara de Comércio Brasil-Sérvia
Carlos Eduardo mansur e Miguel Caballero
RIO - Fim de tarde em um hotel cinco estrelas da Zona Sul do Rio. Petkovic divide uma mesa com vista para o mar com o embaixador da Sérvia no Brasil e o Ministro das Relações Exteriores do país. Não é só um encontro de uma celebridade com autoridades. Após acompanharem o Forum Mundial Econômico para a América Latina, discutiam negócios.
O quase ex-jogador mergulha em seu admirável mundo novo: além de cônsul honorário da Sérvia no Brasil, Petkovic é o presidente da recém-criada Câmara de Comércio Sérvia-Brasil. O homem que há dez anos produziu um momento histórico de um Flamengo x Vasco, clássico que hoje volta a ser decisivo, reinventa-se. Não estará longe do futebol. Com níveis de cultura e articulação acima da média, vai cuidar dos inúmeros negócios que já administra em seu escritório, tratará de comércio internacional entre Sérvia e Brasil. No Brasil, os maiores interesses comerciais da Sérvia são a importação de minério de ferro e a captação de recursos para o setor de energia. Petkovic fará o meio de campo para ampliar o comércio entre os dois países. Pet acredita que sua terra natal pode aprender muito com o Brasil quando o assunto é energia sustentável, como eólica e nuclear.
- Nosso país não tem conhecimento desse assunto, mas queremos saber mais. E vocês estão muito avançados nessa área", diz ele, que também é empresário.
A rotina recente tem sido bem diferente dos tempos em que brilhava no campo. Fora dos planos de Vanderlei Luxemburgo para 2011, foi treinar na Gávea, longe dos holofotes e do elenco. Quase sempre, tinha só a companhia do volante Correa. Treinos, só físicos. Bola, só quando se juntou a juniores e juvenis. Da Gávea, ia para casa, para o escritório ou para reuniões. Planejava se aposentar do futebol no fim do ano, mas as circunstâncias anteciparam planos. Petkovic não é daqueles que veriam o futebol terminar e ficariam sem rumo. Preparou-se desde cedo em várias frentes.
Um autodidata
Sua primeira empreitada foi representar uma marca esportiva espanhola na Sérvia, ainda com 20 e poucos anos. Hoje, o craque é uma verdadeira holding binacional. De seu escritório, gerencia variados negócios. No Brasil, tem uma pizzaria e investimentos imobiliários no Rio, uma empresa de recursos humanos em Juiz de Fora e uma firma de representação comercial. Na Sérvia, um café, academia, spa e até um escritório de arquitetura. Num cálculo rápido, de cabeça, estima empregar cerca de 200 pessoas.
O empreendedorismo já seria o bastante para torná-lo uma "peça" de estudo no mundo do futebol. Ao comentar o rumo que deu à vida, chama atenção até o linguajar sofisticado:
- Tenho facilidade de captar e aprender as coisas. Por causa do futebol, não me graduei como gostaria. Tive de ser autodidata. Aprender com os outros, observar, ler. O fato de ser inteligente, com a mente aberta, globalizada... O futebol me deu a chance de conhecer muita gente. Aprendi sobre comércio, economia, direito... Sempre quis ter opinião e ser ouvido, sempre tive essa fome. Eu me preparei para o futuro. Comecei a investir desde cedo. É como no futebol: você não começa já sendo o melhor. Investi, gastei, errei... Para que, agora, a vida me permitisse atuar em outras áreas. No futebol, terminamos a carreira com muita vida pela frente.
De fato. Entre um treino e outro durante seu isolamento no Flamengo, discutiu até o estatuto da Câmara de Comércio Sérvia-Brasil. Com participação ativa, articula o lançamento do filme "O Gringo", dia 4 em Belgrado, e dia 26 no Rio, na véspera do aniversário de dez anos do gol de falta contra o Vasco. E prepara a despedida, com um jogo pelo Flamengo no Brasileiro e outro na Sérvia, entre o Estrela Vermelha e o rubro-negro.
- Na Sérvia, é diferente do Brasil. O diretor do filme não decide tudo, ouve mais. Eu dei meu apitaço no filme - disse.
Quem pensa que Pet será apenas figura emblemática ao tentar atrair negócios para empresas sérvias no Brasil parece que vai se enganar. Petkovic mostra saber onde pisa:
- O jogo na Sérvia será um evento. Podemos levar empresários, fazer as pessoas conhecerem o país. Quero trazer gente da Sérvia para cá. O Brasil reconstruiu sua imagem no exterior. Sérvios adoram o Brasil, em especial após o país não reconhecer o Kosovo como estado independente. Não veem mais o Brasil como futebol e carnaval.
Só me resta mencionar que a leitura do caderno de esportes do "O Globo" é cada dia mais recomendada. Sem mais.
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VÍDEOS DO PET QUE VALEM A PENA
Дејан Петковић - Dejan Petković - Reportagem na Sérvia
18/11/09 - Entrevista Petkovic no Programa do Jô - Parte 1/3



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