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| Uma cena de ficção, infelizmente. |
O filme "Rio" parece ter conquistado mesmo o coração e mentes ao redor do mundo. "O Globo" do dia 04 de maio de 2011 posta na capa uma matéria especial (de página inteira) entitulada " O verdadeiro Blu".
" Estrela do filme "Rio ", a ararinha-azul volta aos holofotes. Um xeque do Qatar é o maior proprietário da espécie brasileira , extinta na natureza. Último exemplar vivia solitário e chegou a se acasalar com uma maracanã (espécie de arara verde)."
Para mostrar como essa espécie é importante devemos lembrar o que é endemismo.
"Em biologia, botânica e zoologia chamam-se endemismos grupos taxonômicos que se desenvolveram numa região restrita. Em geral o endemismo é resultado da separação de espécies, que passam a se reproduzir em regiões diferentes, dando origem a espécies com formas diferentes de evolução. O endemismo é causado por mecanismos de isolamento, alagamentos, movimentação de placas tectônicas. Por exemplo, devido à deriva continental, as espécies de Madagascar ou da Austrália são exemplos flagrantes de endemismos. "
A ararinha-azul é um belo exemplo de endemismo. É uma espécie que só ocorre na região do Nordeste brasileiro, em especial nos estados da Bahia, Piauí e Maranhão e áreas úmidas do sertão, onde riachos temporários permitem a existência de árvores mais altas, característica típica da região, no extremo norte da Bahia ao sul do Rio São Francisco.
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| Essa é a única maneira de ver uma ararinha-azul atualmente |
Atualmente, não há registro de ararinhas livres na natureza. Todas existentes estão em cativeiro. O maior propritária é o xeque do Qatar Saoud Bin Mohammed Bin Ali Al Thani que possui 55 especimes sob os cuidados da Al Wabra Wildlife Preservation. Interessante é que o xeque era um colecionador e passou a ser a maior esperança na preservação dessa espécie.
- O xeque, aos poucos, adquiriu aves de colecionadores de diversos países, das Filipinas à Suíça. São pessoas que, por comprarem as ararinhas, foram a pé de cal da espécie - avalia o biólogo Francisco Pontual. - Mas, honestamente, não estou a fim de pôr o dedo em seu rosto. Ele é a única esperança concreta que surgiu desde 1990. Tudo isso é muito louco. É quase como se o chefe do tráfico de um morro fosse o único capaz de acabar com a violência causada pelo tráfico.
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| As ararinhas-azuis do xeque |
Ryan Watson foi encarregado de comandar o programa de reprodução das ararinhas em cativeiro. Faz parte do plano de liberá-las novamento ao seu habitat natural. Para isso uma fazenda foi comprada na Bahia para no futuro trazê-las de volta ao seu país de origem. Contudo, existem dificuldades impostas pela seca e pelo desmatamento, principalmente. As ressalvas, porém, não o impedem de considerar a caatinga preparada para as aves. Já o ornitólogo Yamashita é mais cauteloso. Para ele, algumas intervenções humanas precisam ser corrigidas antes das ararinhas povoarem a região.
- O índice de desmatamento reduziu a quantidade de árvores usadas pela ararinha e os índices de chuvas. Está seco demais, mesmo para os padrões da caatinga.
Kiko Loureiro - Endagered Species



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